Os professores Teresa Faia e Manuel Amador do Agrupamento de Escolas de Santo André, Santiago do Cacém deslocaram-se até Nîmes no âmbito do de um programa de intercâmbio entre os Ministérios de Educação Português e Francês para realizar um «séjour professionnel», tendo contado também com o apoio do projeto Erasmus+, Ensino Escolar. Durante duas semanas, estes docentes descobriram o funcionamento do Collège Jean Rostand, partilharam práticas pedagógicas, observaram o funcionamento da Secção Europeia em Língua Espanhola cuja Disciplina Não Linguística é a Matemática, à imagem do que sucede no AESA. Tiveram ainda a oportunidade de perceber como a vida quotidiana de uma escola de 3º ciclo se organiza: um gabinete chamado " vie scolaire" onde os vigilantes e pessoal administrativo se reúnem e tratam de diferentes assuntos, por exemplo, as entradas e saídas da escola no início da manhã e ao final da tarde; são eles também que fecham o portão da escola assim que soa o toque às 8 horas; alunos que chegam atrasados, tocam à campainha e têm de vir a este gabinete justificar o atraso, que é automaticamente comunicado aos encarregados de educação. Observaram o funcionamento de turmas de UPE2A, muito semelhante ao implementado em Portugal para alunos cuja língua materna não é o português; conheceram como funcionam as secções ULIS (unité localisée pour l' inclusion scolaire) em três colégios diferentes. Aqui, os professores trabalham com um grupo de alunos com necessidades de aprendizagem que são extraídos às disciplinas de Francês e Matemática. Têm estas aulas numa sala específica onde há liberdade de movimentos e diferentes espaços de trabalho (um espaço de leitura, outro para computadores, outro ainda onde numa caixa depositam todo o tipo de situações, problemáticas ou comentários que gostariam de vir a discutir numa assembleia de grupo). Todas as atividades e tarefas desenvolvidas são adaptadas ao perfil de competências dos alunos. Tiveram também contacto com uma secção SEGPA, secção de ensino geral e profissional adaptado. Nesta secção, são formadas turmas por ano de escolaridade, do 6° ao 9° anos e nelas estão os alunos que apresentam dificuldades graves e persistentes. Os professores que trabalham com estes alunos fizeram formação específica e aceitaram voluntariamente esta missão. Alguns, poucos, conseguem ultrapassar as suas dificuldades e são gradualmente inseridos nas turmas do ensino regular; outros, na sua maioria no 8° ano, são convidados no primeiro trimestre a explorar diferentes ateliers profissionais de modo a fazerem a sua escolha e seguirem um percurso de orientação profissional que durará até ao final do 9° ano. Foi, com efeito, uma experiência extremamente enriquecedora e cheia de novas aprendizagens.
Teresa Faia e Manuel Amador